O Poço de Alcatrão: As Alegrias da Arte

O Poço de Alcatrão: As Alegrias da Arte


Esse é um trecho do artigo O Poço de Alcatrão do livro O Mítico Homem-Mês. Não tenho palavras para descrever esse texto. É a melhor descrição que eu conheço, e olha que foi escrita em 1975.

As Alegrias da Arte

Porque é divertido programar? Que alegrias o praticante dessa arte pode ter como recompensa?

A primeira é a satisfação de construir algo. Da mesma maneira que uma criança delicia-se com seu bolinho de lama, os adultos divertem-se construindo coisas, sobretudo aquelas que eles mesmo projetam. Penso que essa alegria vem da imagem da alegria de Deus em criar, uma alegria que se revela nas diferenças e singularidades de cada folha de árvore, de cada floco de neve.

A segunda é a felicidade de se construir coisas que são úteis para os outros. Bem no fundo, queremos que outros experimentem nosso trabalho e o considerem útil. Assim, a programação de um sistema não é em si diferente do primeiro porta-lápis de argila que uma criança faz “para o escritório do papai”.

A terceira é o fascínio da montagem de objetos complexos, à semelhança de m quebra-cabeças com peças móveis que se interconectam, e da observação de como tudo trabalha em ciclos sutis, gerando consequências de princípios estabelecidos desde o início. O computador programado tem todo o fascínio de uma máquina de fliperama ou do mecanismo de uma jukebox, levado ao extremo.

A quarta é a aprendizagem constante, que vem da natureza não repetitiva da tarefa. De uma forma ou de outra, o problema é sempre novo, e quem o soluciona aprende algo: algumas vezes a prática, outras a teoria, ou ambas.

Finalmente, há a delícia de trabalhar em um meio tão maleável. O programador, como o poeta, trabalha apenas levemente deslocado de um ambiente de pensamento puro. Ele constrói seus castelos no ar, de ar, criando a partir da sua imaginação.

Originally published August 22, 2021